Resumo: Após 40 anos de exploração intensa de ouro a região do Tapajós encontra-se hoje em uma fase de transição. Os depósitos superficiais de fácil acesso estão esgotando, colocando assim em cheque a continuidade da exploração via métodos não-industriais (garimpagem). No entanto as características da geologia regional indicam que vários desses depósitos superficiais são associados a fontes de ouro primário, que se tornaram alvo de interesse de empresas mineradores nacional e internacionais. Essas empresas procuraram nos últimos cinco anos através das mais diversas formas alianças com os donos de garimpo, a fim de viabilizar uma prospecção mais detalhada desses alvos. Há dois anos a primeira empresa de mineração (Mineração Serabi) começou a exploração de ouro na área de um antigo garimpo e outras estão em fase de negociação. Perante desses fatos novos colocam se os seguintes objetivos de investigação: A partir de uma análise histórica da produção garimpeira e usando informações sobre as formações geológicas regionais e locais, identificar áreas de garimpo que possam se tornar alvo de extração industrial de ouro. Analisar as diversas formas de associação / colaboração entre os donos de garimpo e as empresas de mineração, sobretudo sob o ângulo da sua contractualidade, dos conflitos gerados e das suas conseqüências para a mão-de-obra nos garimpos. Analisar os papeis dos órgãos reguladores do poder público (DNPM, Secretária de Mineração e Meio Ambiente de Itaituba) e das representações de classe (Associação dos Mineradores de Ouro, Associação dos Geólogos etc) nos processos de negociações.